sábado, 28 de novembro de 2009

Manhã Transfigurada, de Sérgio de Assis Brasil


Eu e Cláudia vimos hoje o filme Manhã Transfigurada (Brasil, 2008, 35 mm, cor, 104 min, 14 anos), de Sérgio de Assis Brasil (1948-2007), o primeiro longa-metragem produzido em Santa Maria, que destacou-se como uma produção pioneira em relação à descentralização da produção audiovisual independente no Estado e no país. O diretor gaúcho, através deste filme, foi responsável pela criação de um pólo de produção no interior gaúcho, tornando a cidade de Santa Maria uma referência na produção audiovisual do Estado, como comprova o Santa Maria Vídeo e Cinema. Ao idealizar o projeto, Sérgio insistiu que o filme fosse realizado com boa parte dos recursos humanos locais (dos patrocinadores que eu lembro estão as Casas Eny, a Expresso Medianeira, a Planalto e a UFSM).

O filme é uma adaptação do livro homônimo do escritor gaúcho Luis Antônio de Assis Brasil. A história acontece no Rio Grande do Sul do final do século XIX. Camila (Manuela Monte), protagonista do filme, é levada a casar-se com um rico estancieiro para resgatar a posição social de sua família. Aprisionada por seu marido e recebendo apenas as visitas do padre e do sacristão, Camila envolve-se em um triângulo amoroso marcado por paixões que desafiam fé e razão.

Embora o enredo sirva para a produção de um filme, não creio que se possa considerar Manhã Transfigurada uma obra exemplar. Mesmo com a presença da reconhecida atriz Manoela do Monte (especialmente da mini-série A Casa das sete mulheres), tanto ela quanto os outros atores deixaram a desejar, especialmente João Pedro Gil no papel de Capitão Miguel. A cena final também poderia ter sido melhor, mas quem fala aqui é apemas um apreciador de cinema. Como pontos positivos eu destacaria a direção de fotografia (o filme foi rodado na quarta colônia italiana do Rio Grande do Sul, nas vizinhanças da cidade de Santa Maria) e a sofisticada trilha sonora.

Mas o significado de Manhã Transfigurada certamente é maior do que estes aspectos negativos que mencionei, pois foi o primeiro filme totalmente produzido em Santa Maria, cidade do interior do Estado, sem contar que representou a concretização do projeto de vida de Sérgio Assis Brasil, que nos deixou meses antes da produção ser concluída. De acordo com Marcelo Coelho, "Sérgio de Assis Brasil foi um pioneiro. Descentralizou a produção audiovisual no Rio Grande do Sul ainda nos anos 80, quando foi diretor de jornalismo da RBS TV Santa Maria. Dirigiu clipes musicais e séries jornalísticas com muito empenho e competência. Era um profissional dos melhores. Tinha todos os atributos para brilhar nas produções de cinema e televisão do Rio e São Paulo, mas decidiu expressar sua arte no interior gaúcho. Figura super carismática, professor universitário, advogado, publicitário, jornalista e cineasta.Tinha um sonho pelo qual morreu lutando - literalmente: Ver "Manhã Transfigurada" nas telas de cinema".

Sérgio de Assis Brasil

Um detalhe: no melhor estilo Alfred Hitchcock, Sérgio aparece em uma cena como figurante. De costas para a câmera, ele caminha pela calçada de braços com uma mulher (a atriz Cândice Lorenzoni) e dá um esbarrão no personagem principal, como mostra a foto.

Enfim, devido à importância desta produção, podemos dizer que o fechamento da 8ª edição do Santa Maria Vídeo e Cinema foi com chave de ouro.


Trailer

Ficha técnica

Brasil – 2008 – 104 minutos
Direção e Adaptação – Sérgio de Assis Brasil
Roteiro – Marcelo Esteves Baseado na obra de Luiz Antônio de Assis Brasil
Produção – Alvaro de Carvalho Neto
Direção de Produção – Fabiano Foggiato
Direção de Fotografia – Fernando Vanelli e Melissandro Bittencourt
Direção de Arte – Cezare Barichello
Figurino – Luciano Santos
Maquiagem – Lucimar Casagrande
Produção de Elenco – Cândice Lorenzoni
Montagem – Dirceu Lustosa
Som Guia – Paulo Coser
Desenho de Som – Cristiano Scherer
Pós-produção – Alvaro de Carvalho Neto
Música Original – Gustavo Assis-Brasil

Manuela do Monte ................... Camila
Rafael Sieg ............................... Bernardo
Paulo Saldanha ........................ Padre Ramiro
Denise Copetti .......................... Laurinda
João Pedro Gil .......................... Capitão Miguel
Mariza Rodrigues ..................... Siá Chica
Nara Maia ................................ Dona Bárbara
Pedro Freire Junior .................. Senhor Martinho

Patrocínio: Eletrobrás, Grupo CEEE, Planalto Transportes, Banrisul, Expresso Medianeira, Fonte da Ilha, Banco do Brasil, Gabardo Transportes, Medabil Sistemas Construtivos e Eny Calçados.
Incentivo: Universidade Federal de Santa Maria, Prefeitura Municipal de Santa Maria e Assembléia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul.
Financiamento: Lei de Incentivo à Cultura do Município de Santa Maria, Lei de Incentivo à Cultura do Estado do Rio Grande do Sul e ANCINE - Agência Nacional do Cinema (Lei do Audiovisual e Lei Rouanet).

César Benjamin acusa Lula de estupro quando era preso político (Leia o artigo na íntegra)

Essa é a nova investida da Folha de São Paulo. Como muitos já devem saber, nesta sexta-feira foi publicado um artigo de César Benjamin relatando que Lula havia lhe contado sobre um suposto estupro que o Presidente teria cometido contra um militante do MEP. Depois de procurar bastante, finalmente encontrei o texto, que agora reproduzo aqui.

Artigo de César Benjamin publicado na sexta-feira, 27/11, na Folha de S. Paulo e, desde então, republicado em blogs e páginas de Twitter por toda a web:

Os filhos do Brasil

César Benjamin

A PRISÃO na Polícia do Exército da Vila Militar, em setembro de 1971, era especialmente ruim: eu ficava nu em uma cela tão pequena que só conseguia me recostar no chão de ladrilhos usando a diagonal. A cela era nua também, sem nada, a menos de um buraco no chão que os militares chamavam de "boi"; a única água disponível era a da descarga do "boi". Permanecia em pé durante as noites, em inúteis tentativas de espantar o frio. Comia com as mãos. Tinha 17 anos de idade.

Um dia a equipe de plantão abriu a porta de bom humor. Conduziram-me por dois corredores e colocaram-me em uma cela maior onde estavam três criminosos comuns, Caveirinha, Português e Nelson, incentivados ali mesmo a me usar como bem entendessem. Os três, porém, foram gentis e solidários comigo. Ofereceram-me logo um lençol, com o qual me cobri, passando a usá-lo nos dias seguintes como uma toga troncha de senador romano.

Oriundos de São Paulo, Caveirinha e Português disseram-me que "estavam pedidos" pelo delegado Sérgio Fleury, que provavelmente iria matá-los. Nelson, um mulato escuro, passava o tempo cantando Beatles, fingindo que sabia inglês e pedindo nossa opinião sobre suas caprichadas interpretações. Repetia uma ideia, pensando alto: "O Brasil não dá mais. Aqui só tem gente esperta. Quando sair dessa, vou para o Senegal. Vou ser rei do Senegal".

Voltei para a solitária alguns dias depois. Ainda não sabia que começava então um longo período que me levou ao limite.

Vegetei em silêncio, sem contato humano, vendo só quatro paredes - "sobrevivendo a mim mesmo como um fósforo frio", para lembrar Fernando Pessoa- durante três anos e meio, em diferentes quartéis, sem saber o que acontecia fora das celas. Até que, num fim de tarde, abriram a porta e colocaram-me em um camburão. Eu estava sendo transferido para fora da Vila Militar. A caçamba do carro era dividida ao meio por uma chapa de ferro, de modo que duas pessoas podiam ser conduzidas sem que conseguissem se ver. A vedação, porém, não era completa. Por uma fresta de alguns centímetros, no canto inferior à minha direita, apareceram dedos que, pelo tato, percebi serem femininos.

Fiquei muito perturbado (preso vive de coisas pequenas). Há anos eu não via, muito menos tocava, uma mulher. Fui desembarcado em um dos presídios do complexo penitenciário de Bangu, para presos comuns, e colocado na galeria F, "de alta periculosia", como se dizia por lá. Havia 30 a 40 homens, sem superlotação, e três eram travestis, a Monique, a Neguinha e a Eva. Revivi o pesadelo de sofrer uma curra, mas, mais uma vez, nada ocorreu. Era Carnaval, e a direção do presídio, excepcionalmente, permitira a entrada de uma televisão para que os detentos pudessem assistir ao desfile.

Estavam todos ocupados, torcendo por suas escolas. Pude então, nessa noite, ter uma longa conversa com as lideranças do novo lugar: Sapo Lee, Sabichão, Neguinho Dois, Formigão, Ari dos Macacos (ou Ari Navalhada, por causa de uma imensa cicatriz que trazia no rosto) e Chinês. Quando o dia amanheceu éramos quase amigos, o que não impediu que, durante algum tempo, eu fosse submetido à tradicional série de "provas de fogo", situações armadas para testar a firmeza de cada novato.

Quando fui rebatizado, estava aceito. Passei a ser o Devagar. Aos poucos, aprendi a "língua de congo", o dialeto que os presos usam entre si para não serem entendidos pelos estranhos ao grupo.

Com a entrada de um novo diretor, mais liberal, consegui reativar as salas de aula do presídio para turmas de primeiro e de segundo grau. Além de dezenas de presos, de todas as galerias, guardas penitenciários e até o chefe de segurança se inscreveram para tentar um diploma do supletivo. Era o que eu faria, também: clandestino desde os 14 anos, preso desde os 17, já estava com 22 e não tinha o segundo grau. Tornei-me o professor de todas as matérias, mas faria as provas junto com eles.

Passei assim a maior parte dos quase dois anos que fiquei em Bangu. Nos intervalos das aulas, traduzia livros para mim mesmo, para aprender línguas, e escrevia petições para advogados dos presos ou cartas de amor que eles enviavam para namoradas reais, supostas ou apenas desejadas, algumas das quais presas no Talavera Bruce, ali ao lado. Quanto mais melosas, melhor.

Como não havia sido levado a julgamento, por causa da menoridade na época da prisão, não cumpria nenhuma pena específica. Por isso era mantido nesse confinamento semiclandestino, segregado dos demais presos políticos. Ignorava quanto tempo ainda permaneceria nessa situação.

Lembro-me com emoção -toda essa trajetória me emociona, a ponto de eu nunca tê-la compartilhado- do dia em que circulou a notícia de que eu seria transferido. Recebi dezenas de catataus, de todas as galerias, trazidos pelos próprios guardas. Catatau, em língua de congo, é uma espécie de bilhete de apresentação em que o signatário afiança a seus conhecidos que o portador é "sujeito-homem" e deve ser ajudado nos outros presídios por onde passar.

Alguns presos propuseram-se a organizar uma rebelião, temendo que a transferência fosse parte de um plano contra a minha vida. A essa altura, já haviam compreendido há muito quem eu era e o que era uma ditadura.

Eu os tranquilizei: na Frei Caneca, para onde iria, estavam os meus antigos companheiros de militância, que reencontraria tantos anos depois. Descumprindo o regulamento, os guardas permitiram que eu entrasse em todas as galerias para me despedir afetuosamente de alunos e amigos. O Devagar ia embora.

São Paulo, 1994. Eu estava na casa que servia para a produção dos programas de televisão da campanha de Lula. Com o Plano Real, Fernando Henrique passara à frente, dificultando e confundindo a nossa campanha.

Nesse contexto, deixei trabalho e família no Rio e me instalei na produtora de TV, dormindo em um sofá, para tentar ajudar. Lá pelas tantas, recebi um presente de grego: um grupo de apoiadores trouxe dos Estados Unidos um renomado marqueteiro, cujo nome esqueci. Lula gravava os programas, mais ou menos, duas vezes por semana, de modo que convivi com o americano durante alguns dias sem que ele houvesse ainda visto o candidato.

Dizia-me da importância do primeiro encontro, em que tentaria formatar a psicologia de Lula, saber o que lhe passava na alma, quem era ele, conhecer suas opiniões sobre o Brasil e o momento da campanha, para então propor uma estratégia. Para mim, nada disso fazia sentido, mas eu não queria tratá-lo mal. O primeiro encontro foi no refeitório, durante um almoço.

Na mesa, estávamos eu, o americano ao meu lado, Lula e o publicitário Paulo de Tarso em frente e, nas cabeceiras, Espinoza (segurança de Lula) e outro publicitário brasileiro que trabalhava conosco, cujo nome também esqueci. Lula puxou conversa: "Você esteve preso, não é Cesinha?" "Estive." "Quanto tempo?" "Alguns anos...", desconversei (raramente falo nesse assunto). Lula continuou: "Eu não aguentaria. Não vivo sem boceta".

Para comprovar essa afirmação, passou a narrar com fluência como havia tentado subjugar outro preso nos 30 dias em que ficara detido. Chamava-o de "menino do MEP", em referência a uma organização de esquerda que já deixou de existir. Ficara surpreso com a resistência do "menino", que frustrara a investida com cotoveladas e socos.

Foi um dos momentos mais kafkianos que vivi. Enquanto ouvia a narrativa do nosso candidato, eu relembrava as vezes em que poderia ter sido, digamos assim, o "menino do MEP" nas mãos de criminosos comuns considerados perigosos, condenados a penas longas, que, não obstante essas condições, sempre me respeitaram.

O marqueteiro americano me cutucava, impaciente, para que eu traduzisse o que Lula falava, dada a importância do primeiro encontro. Eu não sabia o que fazer. Não podia lhe dizer o que estava ouvindo. Depois do almoço, desconversei: Lula só havia dito generalidades sem importância. O americano achou que eu estava boicotando o seu trabalho. Ficou bravo e, felizmente, desapareceu.

Dias depois de ter retornado para a solitária, ainda na PE da Vila Militar, alguém empurrou por baixo da porta um exemplar do jornal "O Dia". A matéria da primeira página, com direito a manchete principal, anunciava que Caveirinha e Português haviam sido localizados no bairro do Rio Comprido por uma equipe do delegado Fleury e mortos depois de intensa perseguição e tiroteio. Consumara-se o assassinato que eles haviam antevisto.

Nelson, que amava os Beatles, não conseguiu ser o rei do Senegal: transferido para o presídio de Água Santa, liderou uma greve de fome contra os espancamentos de presos e perseverou nela até morrer de inanição, cerca de 60 dias depois. Seu pai, guarda penitenciário, servia naquela unidade.

Neguinho Dois também morreu na prisão. Sapo Lee foi transferido para a Ilha Grande; perdi sua pista quando o presídio de lá foi desativado. Chinês foi solto e conseguiu ser contratado por uma empreiteira que o enviaria para trabalhar em uma obra na Arábia, mas a empresa mudou os planos e o mandou para o Alasca. Na última vez que falei com ele, há mais de 20 anos, estava animado com a perspectiva do embarque: "Arábia ou Alasca, Devagar, é tudo as mesmas Alemanhas!" Ele quis ir embora para escapar do destino de seu melhor amigo, o Sabichão, que também havia sido solto, novamente preso e dessa vez assassinado. Não sei o que aconteceu com o Formigão e o Ari Navalhada.

A todos, autênticos filhos do Brasil, tão castigados, presto homenagem, estejam onde estiverem, mortos ou vivos, pela maneira como trataram um jovem branco de classe média, na casa dos 20 anos, que lhes esteve ao alcance das mãos. Eu nunca soube quem é o "menino do MEP". Suponho que esteja vivo, pois a organização era formada por gente com o meu perfil. Nossa sobrevida, em geral, é bem maior do que a dos pobres e pretos.

O homem que me disse que o atacou é hoje presidente da República. É conciliador e, dizem, faz um bom governo. Ganhou projeção internacional. Afastei-me dele depois daquela conversa na produtora de televisão, mas desejo-lhe sorte, pelo bem do nosso país. Espero que tenha melhorado com o passar dos anos.

Mesmo assim, não pretendo assistir a "O Filho do Brasil", que exala o mau cheiro das mistificações. Li nos jornais que o filme mostra cenas dos 30 dias em que Lula esteve detido e lembrei das passagens que registrei neste texto, que está além da política. Não pretende acusar, rotular ou julgar, mas refletir sobre a complexidade da condição humana, justamente o que um filme assim, a serviço do culto à personalidade, tenta esconder.

CÉSAR BENJAMIN, 55, militou no movimento estudantil secundarista em 1968 e passou para a clandestinidade depois da decretação do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro desse ano, juntando-se à resistência armada ao regime militar. Foi preso em meados de 1971, com 17 anos, e expulso do país no final de 1976. Retornou em 1978. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995. Em 2006 foi candidato a vice-presidente na chapa liderada pela senadora Heloísa Helena, do PSOL, do qual também se desfiliou. Trabalhou na Fundação Getulio Vargas, na Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, na Prefeitura do Rio de Janeiro e na Editora Nova Fronteira. É editor da Editora Contraponto e colunista da Folha.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou "triste, abatido e sem entender" os motivos dos ataques feitos pelo economista Cesar Benjamin, ex-petista, em artigo publicado na edição de hoje da Folha. No artigo, Benjamin diz que Lula lhe relatou, em 1994, que tentou subjugar um colega de cela quando ficou preso, em 1980.

Aos jornalistas, nesta sexta, o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho, classificou as declarações de Benjamin de "loucura" da cabeça de um "psicopata".

"Nos estranha muito a Folha ter publicado isso. É coisa de psicopata. Para nós, é uma coisa que só pode ser explicada como psicopatia. Quando a coisa é séria, nós reagimos, mas nesse caso... O governo vai se sujar se reagir a isso", disse Carvalho.

Benjamin, 55, militou no movimento estudantil secundarista, passou para a clandestinidade com o AI nº 5 e foi preso em 1971, com 17 anos. Ajudou a fundar o PT, do qual se desfiliou em 1995.

De acordo com o Bodega Cultural, as reações vieram em cascata:

O publicitário Paulo de Tarso da Cunha Santos, citado por Benjamin, afirmou que "o almoço a que se refere o artigo de fato ocorreu", que "o publicitário americano mencionado se chamava Erick Ekwall", e que não houve "qualquer menção sobre os temas tratados no artigo";
O cineasta Sílvio Tendler, com melhor memória (a conversa aconteceu há 15 anos), diz ser o outro publicitário cujo nome Benjamin esqueceu e sugere que outorguem ao cientista político o "troféu de loira [burra] do ano" por não haver entendido "uma brincadeira, como outras 300" que o Lula fazia todos os dias;

Ex-companheiros de cela de Lula no Dops, José Maria de Almeida (PSTU), José Cicote (PT) e Rubens Teodoro negaram a tentativa de estupro, tendo Almeida acrescentado que não havia ninguém do Movimento pela Emancipação do Proletariado na cela e Cicote se lembrado vagamente de que um sindicalista de São José dos Campos seria apelidado de "MEP";

Armando Panichi Filho, um dois dois delegados do Dops escalados para vigiar Lula na prisão, disse nunca ter ouvido falar disso e não acreditar que tenha acontecido, mesmo porque, segundo ele, nem sequer havia "possibilidade de acontecer”;

O então diretor do Dops Romeu Tuma também desmentiu "qualquer agressão entre os presos";
o Frei Chico, um dos irmãos do presidente Lula, lembrou que a cela do Dops era coletiva e que nunca Lula ficou sozinho, pois estava preso com os outros diretores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo (Rubão, Zé Cicote, Manoel Anísio e Djalma Bom);

O ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, afirmou que o artigo é "um lixo, um nojo, de quem escreveu e de quem publicou";
O ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, atribuiu "essa coisa nojenta" aos ressentimentos e mágoas de Benjamin, que algum tempo depois deixaria o PT, mas não por causa desse episódio;

O Frei Beto qualificou o artigo de "execrável" e disse que Lula, "ainda que não fosse presidente", mereceria respeito.

Ou seja, a tentativa de estupro não é confirmada por ninguém. Talvez tenha estado preso mesmo um sindicalista alcunhado de MEP. E Lula parece haver feito uma piada de mau gosto, como tantas outras que marcam sua trajetória de falastrão contumaz.

O certo é que não havia sustentação para a Folha publicar, p. ex., uma reportagem a este respeito. Não se acusa um presidente de tentativa de estupro com tão pouco.

Concedeu, entretanto, uma página inteira para Benjamin colocar essa bobagem em circulação, municiando a propaganda direitista.

Jornalisticamente, sua atuação é indefensável, desprezível, manipuladora.

Desceu aos esgotos, repetindo o episódio em que usou outro bobo útil de esquerda para tentar envolver a ministra Dilma Rousseff com um plano para sequestrar Delfim Netto que nunca saiu do papel.

Cesar Benjamin deveria ter aprendido a lição.

Agora, ou vem a público provar sua acusação, ou estará definitivamente morto para a política.

Quanto à Folha, já morreu para o jornalismo faz tempo.

Com informações do Vermelho

As últimas do Santa Maria Vídeo e Cinema

Sessão de "Valsa para Bruno Stein" (Fotos: Cirilo Nunes da Silva)

Na tarde de ontem, eu, Cláudia e Cirilo estivemos no Santa Maria Vídeo Cinema, que se desenvolve ali na Praça Saldanha Marinho. Fomos assistir o longa-metragem "Valsa para Bruno Stein", dirgido pelo santa-mariense Paulo Nascimento. O filme discute essencialmente o conflito entre três gerações: a neta, Verônica, só pensa em ir embora do lugar onde vivem, um local afastado da grande cidade; Valéria, a nora, procura dar vazão à sua solidão (pois seu marido é caminhoneiro) e Bruno Stein, em função da idade avançada, vê a morte se aproximando. A chegada de um novo empregado na fazenda, chamado Gabriel, coincide com importantes mudanças na vida dos personagens. A rígida moral protestante do velho se arrefece com a sua crescente paixão pela nora. Uma paixão que, de acordo com as normas sociais tradicionais, deve ser sufocada.

Embora curto (95 minutos), Valsa para Bruno Stein é um belíssimo filme. Certamente deve ser visto como mais um ponto positivo na carreira do diretor Paulo Nascimento, tal como"Em teu nome".

O pessoal do Tv Cine gravando na Praça Saldanha Marinho (Foto: André Jobim)

Depois da exibição, ficamos girando pela praça e encontramos o pessoal da TVE (Fundação Cultural Piratini), responsável pelo programa TV Cine, que discute as perspectivas da cinematografia gaúcha. Rapidamente, como integrantes dos Ciclos de Cinema Histórico que ocorrem em Santa Maria, resolvemos conversar brevemente com Domício Grillo, o âncora do programa, e com o câmera, Rogério, que nos relataram as experiências de viagens pelo estado, procurando demonstrar o que vem sendo produzido em termos de cinema aqui no extremo sul do país. Enfim, gente finíssima o pessoal.

Eu e o âncora do Tv Cine, Domicio Grillo (Foto: Cirilo Nunes da Silva)

Por fim, gostaria de lembrar que na tarde de hoje (sábado) será exibido o longa do recentemente falecido diretor radicado em Santa Maria, Sérgio Assis Brasil. Manhã Transfigurada rola às 17h no Arcoplex Cinema do Royal Plaza, no encerramento da 8ª edição do Santa Maria Vídeo e Cinema.

Pós-filme

Novo jeito de espancar: Polícia de Yeda Crusius é denunciada por tortura

Com informações do Brasília Confidencial:

Polícia de Yeda Crusius é denunciada por tortura
28/11/2009 - Ayrton Centeno

Sentados sobre formigueiros, espancados, ajoelhados durante horas, com as mãos na nuca e a cabeça abaixada, sob a ameaça de patas de cavalos e a vigilância constante de cães ferozes. Estas formas de tortura foram impostas a cerca de 200 sem terra na desocupação da fazenda Southall, em São Gabriel, região da campanha gaúcha, no dia 21 de agosto de 2009. Um sem terra morreu baleado pela costas. O autor do tiro fatal e os torturadores pertencem à Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Estas denúncias, baseadas em testemunhos das vítimas, constam do relatório produzido pela Ouvidoria Agrária Nacional, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, e a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos enviado, em outubro, ao Ministério Público Estadual (MPE). Até agora, porém, o MPE não denunciou ninguém.

“Está havendo demora (da apresentação de denúncia) no que refere ao crime de tortura”, estranhou o ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva Filho.

“Experimente ficar de joelhos, sem poder se mover durante horas com os cães atiçados contra você ao menor movimento. É uma tortura terrível”, comentou.

Na quinta-feira, através da assessoria do MPE, a promotora Ivana Battaglin, de São Gabriel, responsável pelo encaminhamento ou não da denúncia, informou que “o assunto está sendo examinado”. Para Gercino, não se trata apenas de apontar um soldado – como aconteceu com o autor do homicídio.

“No caso da tortura, é preciso responsabilizar, além dos policiais que cumpriram ordens, o oficial que comandou a operação”, ressalta.

A escalada da violência nas operações da polícia militar gaúcha contra os movimentos sociais agravou-se no governo da tucana Yeda Crusius. Em junho deste ano, o Estado tornou-se notícia internacional pelo tratamento dado à questão social. Antes da tragédia em São Gabriel, o Informe sobre o Estado dos Direitos Humanos no Mundo, editado pela Anistia Internacional, já mencionava o Rio Grande do Sul e o excesso de violência empregado nas desocupações de terras. Às demais denúncias juntou-se a do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). Nesta semana, a entidade entregou relatório às autoridades locais, indicando o aguçamento da violência e a criminalização dos movimentos sociais.

“Criou-se um aparato parecido com o da época militar para os movimentos sociais”, critica o advogado Leandro Scalabrin, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Além da BM, o próprio MPE tornou-se protagonista nesta ofensiva, exigindo, por exemplo, o fim das escolas itinerantes do MST e pressionando a Justiça pela dissolução dos acampamentos, mesmo aqueles situados em terras públicas, à margem das rodovias.

Neste domingo, completa-se 100 dias do assassinato do sem terra Elton Brum da Silva. Ele foi alvejado – pelas costas e a distância de um metro — por um disparo de espingarda calibre 12 na tumultuada desocupação de 21 de agosto. Aparentemente, a morte não serviu para maiores reflexões no governo e na sua força policial. A BM continua usando munição letal nas desocupações, ao contrário das demais policiais militares estaduais.

“Lá existem foices e facas. Não somos cordeiros para serem imolados. Vamos continuar usando (armas com projéteis de chumbo)”, enfatizou o corregedor–geral da BM, coronel Paulo Rogério Porto.

O tiro que matou Elton partiu da arma do soldado Alexandre Curto dos Santos, do 6° Regimento de Polícia Montada – hoje deslocado para o serviço administrativo no quartel da Brigada Militar na cidade de Bagé. Ele alegou que não teve intenção de matar e que imaginou que sua espingarda não continha munição letal. Seu argumento – repetido pelo corregedor da BM — é de que houve “um acidente” e que pegou a arma de um colega em vez da sua. A Brigada demorou 38 dias para apresentar o atirador, o que levantou a suspeita de que tentava encobrir um oficial. O corregedor garante que o soldado Santos é o único responsável. Ele será julgado por homicídio simples.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

A luta pela reforma agrária

Artigo publicado na edição de hoje do Diário de Santa Maria

A luta pela reforma agrária

Para falar da reforma agrária e de sua necessidade, é preciso lembrar alguns aspectos históricos de nosso país, que inauguraram injustiças e violências endêmicas, ainda presentes e objetos de luta social. Refiro-me aos latifúndios originados com as capitanias hereditárias, lá nos primórdios da ocupação europeia deste território, habitado por milhares de indígenas. Estes foram sistematicamente expulsos, escravizados e mortos. Sobre isso, é bom lembrar que, ainda nos meses de outubro e novembro deste ano, ocorreram expulsões, desaparecimentos e mortes de indígenas no Mato Grosso do Sul.

É pertinente lembrar, também, que o Brasil manteve, durante mais de 400 anos, a escravidão negra. Quando extinta, não reconheceu o trabalho, não-pago, das populações negras e as “libertou” sem acesso à terra, à escola e a outros direitos de cidadania. Resultado disso são os milhares de sem-terra, herdeiros da espoliação e da injustiça.

Por outro lado, o IBGE divulgou este ano pesquisa sobre a distribuição de terras no Brasil, confirmando que a concentração tem se acentuado. Ao mesmo tempo, as pesquisas deixaram evidente, mais uma vez, que 80% dos alimentos que chegam a nossa mesa são oriundos da agricultura familiar, ou seja, das pequenas e médias propriedades e não do agronegócio. Isso já justifica a necessidade da reforma agrária e, portanto, da relevância do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) na luta por sua concretização.

Fico perplexa em constatar que, enquanto a imprensa faz tanto estardalhaço, porque o MST teria derrubado alguns milhares de pés de laranja de uma área grilada (invadida) pela Cutrale no Pontal do Paranapanema – empresa que produz 30% de todo o suco de laranja do mundo –, faz quase absoluto silêncio sobre o brutal desmatamento provocado por madeireiras e pelo agronegócio e sobre a violência praticada contra os índios.

Criminalizar os movimentos sociais, especialmente o MST, é um desserviço ao povo brasileiro, pela importância que ele tem na defesa da produção de nossos alimento, e é bom lembrar que todas as garantias e conquistas sociais que temos hoje se devem à luta dos movimentos sociais, inclusive do MST. É claro que podem acontecer alguns desvios de conduta, até pela infiltração de inimigos, mas é preciso ter cuidado com a generalização e a condenação, a priori, de um movimento social de tamanha relevância, como é o MST.

TEREZA DALMASO - Professora estadual e mestre em Educação pela UFSM

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

'Em teu nome', de Paulo Nascimento

Fernanda Moro e Julia Feldens

Hoje, eu, Cláudia e Cirilo tivemos a oportunidade de ver no Santa Maria Vídeo e Cinema a exibição do belíssimo e emocionante filme Em Teu Nome, o quarto longa-metragem do diretor santamariense Paulo Nascimento. A película é baseada na história real do estudante João Carlos Bona Garcia, integrante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e exilado político da década de 1970. Bona Garcia já esteve em Santa Maria em 2004, em evento sobre os 40 Anos do Golpe Civil-Militar de 1964, quando presidia a Comissão do Acervo da Luta Contra a Ditadura, palestrando na Câmara de Vereadores. Na ocasião, estiveram na mesa, já falecidos, o prof. Joél Abílio Pinto dos Santos e o jornalista João Baptista Aveline.

Nelson Diniz e Silvia Buarque

O enredo é mais ou menos o seguinte: um jovem estudante de engenharia se vê envolvido na luta armada dos anos setenta, quando foi preso, torturado e exilado. A partir daí o personagem inicia uma autocrítica sobre os rumos que sua vida tomou. Passando pelo Chile, Argélia e Paris, o filme procura mostrar as angústias do jovem estudante, que procura descobrir qual foi o aprendizado que este tempo de luta lhe proporcionou.

João Carlos Bona Garcia nasceu em Passo Fundo/RS no ano de 1946. Aos 17 anos ingressou no movimento estudantil e depois do golpe de 1964, passou a integrar o Partido Comunista, transformando-se mais tarde em guerrilheiro da VPR.

Julia Feldens, César Tronocoso, Fernanda Moro e Leonardo Machado

Para financiar a revolução, Bona participa de um assalto e é preso pelo Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) em plena Era Médici. Vítima de tortura e agressão, foi exilado para o Chile em 1971 com 70 presos políticos trocados pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher. O seqüestro foi realizado pelo capitão do exército Carlos Lamarca e por militantes da VPR em 1970, sendo a última operação do tipo realizada pela esquerda durante o regime militar (antes dele foram sequestrados um embaixador norteamericano, um cônsul japonês e um embaixador alemão).

Na França, Bona Garcia militou no Partido Comunista do país, onde ajudou a formar o comitê pela anistia que possibilitou seu retorno ao Brasil em 1979. Atualmente é juiz da Justiça Militar do Rio Grande do Sul, órgão que julga os integrantes da Brigada Militar, a PM do Estado. É autor do livro Verás que um filho teu não foge à luta.

O diretor
Paulo Nascimento, santamariense formado em Comunicação pela UFSM, dirigiu os longas-metragens Diário de um Novo Mundo (vencedor dos kikitos de melhor roteiro e filme do júri popular, em 2005), Valsa para Bruno Stein (kikito de melhor atriz para Ingra Liberato, em 2007) e o longa infantil A Casa Verde, que também será exibido no Santa Maria Video e Cinema nesta quinta, às 6 da tarde.

Nascimento também dirigiu os curtas-metragens Dedos de Pianista e O chapéu, além das minisséries A Hora do Louva-a-Deus e Segredo (veiculada pela RTP, de Portugal). Realizou mais de 100 filmes publicitários, vídeoclipes e dvds (incluindo Ney Matogrosso Interpreta Cartola e Chitãozinho e Xororó em Garibaldi).

Tome nota:
Amanhã (sexta-feira, 27/11/2009), às 18 horas da tarde será exibido na Praça Saldanha Marinho o longa Valsa Para Bruno Stein, do mesmo diretor. Quem puder e quiser, compareça.

Eu, Cláudia e Cirilo na sessão que ocorreu hoje na Cesma às 10 da manhã

Os palestrantes Diorge Alceno Konrad e o diretor do filme, Paulo Nascimento

Com informações de Roliude

Relembrando: Hoje, lançamento da 2ª edição do livro Dossiê Ditadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985)

quinta-feira, dia 26, os departamentos de História da UFSM e da UFRGS e a Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do RS promovem o debate/lançamento da 2ª edição do livro Dossiê Ditadura - Mortos e Desaparecidos Políticos no Brasil (1964-1985). O evento ocorre no auditório da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (Sedufsm) e terá a participação de Criméia de Almeida, que esteve na Guerrilha do Araguaia; e Suzana Lisboa, mulher de Luiz Eurico Lisboa, irmão de Nei Lisboa, que militou na clandestinidade, teve passagem por Santa Maria e foi morto em São Paulo. Ambas pertencem ao movimento dos Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos.

O debate e lançamento do livro terá a coordenação do prof. do Departamento de História da UFRGS, Enrique Padrós e do chefe do Departamento de História da UFSM, prof. Diorge Konrad. Será às 19 horas de quinta-feira, na Sedufsm, na rua André Marques, 665, centro de Santa Maria.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O que as cotas podem dar ao Brasil - Questionamentos à procuradora Roberta Fragoso Kaufmann

Ao ler a entrevista da procuradora Roberta Fragoso Kaufmann ao Congresso em Foco (veja aqui), confesso ter sentido certo choque. Esse choque se deveu a alguns pressupostos bastante agudos em seu pensamento e que, por assim dizer, encontram-se submersos mas próximos à superfície, como os corais de Abrolhos. Quem está habituado a navegar sobre a sinuosidade dos textos, talvez não tenha como não alarmar-se com os riscos encobertos em suas palavras. Todo pensamento, como insistia o filósofo Martin Heidegger, possui um certo impensado sobre o qual se sustenta. Da minha parte, creio que alguns pensamentos são translúcidos como córregos em que se pode ver nitidamente o fundo, outros exigem que nos mantenhamos o mais alerta possível se não quisermos naufragar neles. Decida o leitor, a que tipo pertencem os argumentos apresentados pela procuradora em sua entrevista.

A palavra alemã para o verbo julgar é urteilen. Esta significa uma divisão originária, pela qual se reparte e distingue entre o justo e o injusto. O que a história brasileira apresenta hoje é a possibilidade de separar o joio do trigo. Ninguém se incomodava com os negros quando eles eram culpados do atraso brasileiro. Ninguém via problema quando se praticava o racismo dissimulado, aquele que não dá uma vaga ou um cargo ao negro não porque ele seja negro, longe disso, mas porque não é qualificado; aquele que o fazia vítima da violência policial não porque era negro, isso nunca, mas porque parecia bandido. A procuradora Kaufmann não se apercebe que, em referendando o racismo dissimulado, é a essas práticas que ela se mostra favorável:

"A adoção de cotas estimula uma discriminação reversa, em que um grupo de pessoas, no caso, os estudantes que tentam ingressar nas universidades públicas, sofre o ônus. Vivemos em uma sociedade onde o preconceito não é escancarado. As pessoas que são racistas têm vergonha de dizer que o são. Conseguimos superar a escravidão sem ter uma sociedade com ódio racial. Implementar raça como fator de segregação pode acabar com esse frágil equilíbrio."

Roberta Kaufmann acredita que se as pessoas têm vergonha de dizer que são racistas, isso não é pior, mas sim melhor. Ora, se for assim, temos que admitir que se fazem a exclusão sem dizer que estão excluindo; se maltratam sem dizer por que estão maltratando; se punem sem dizer por que estão punindo, então está tudo muito bem. O que não pode haver é ódio racial explícito. Se o preconceito existe, mas não é escancarado, muito bem. Ótimo. Não é preciso vergonha de praticar o racismo, mas sim vergonha de demonstrar racismo. Ou seja, em última instância, é necessário que as vítimas do nosso racismo continuem sem saber que elas são vítimas e que nós somos racistas. É preciso, como ela diz, sustentar essa situação de "frágil equilíbrio".

Mas, vamos perguntar, por que esse equilíbrio é frágil assim? Seria porque milhões de negros e mestiços são mantidos na condição de neoescravos? Seria porque vivem em péssimas condições de educação, saúde, moradia, segurança, alimentação, etc.? Seria porque, em vivendo assim, a qualquer momento, podem se dar conta da situação abjeta e nos brindarem com uma revolta de vastas proporções?

O sistema de cotas seria inconstitucional? Argumentar contra as cotas com a Constituição na mão é fácil, mas sabemos todos que a partir da Constituição é possível argumentar na direção contrária, apontando os diversos direitos que não são implementados, e cujos efeitos são mais danosos sobre os negros e mestiços, por serem os mais destituídos em um país de 90% de destituídos. E aí se inclui a educação básica de qualidade. Então, para ser coerente, é preciso que a procuradora argumente que o Brasil, a sociedade brasileira, é um sistema inconstitucional. Um país excessivo. Em sendo assim, porém, a exceção das cotas pertence à regra, e, portanto, à nossa constituição.

Mas, para piorar ainda mais as coisas, a procuradora Roberta Kaufmann cria um vilão oportunista e aproveitador, o negro rico. Ela não se pergunta se ele existe ou pode existir, ou seja, se para além dos delírios verbais, a situação sócio-econômica brasileira criou verdadeiramente uma camada social que possa ser designada como a dos negros ricos. Não se pergunta também se, em existindo, este grupo social seria imoral ao ponto de se aproveitar das cotas. Ao invés de refletir sobre isso, ela já nos convida a pensar que esta camada existe, e que está a espreita pronta para se apropriar delas — “Essas cotas favorecem que negros ricos entrem na universidade”. Veja-se por aí o absurdo a que está disposta a procuradora em sua argumentação: as cotas se destinavam a amenizar precariamente a situação de marginalidade dos negros que vivem na miséria, mas, como descobriu a procuradora, servirá apenas para um grupo de malandros aproveitadores, os negros ricos, se dar bem.

Mas ainda há algo pior. Este algo é a matriz de todo esse raciocínio da procuradora: que os negros, mesmo ricos, não têm capacidade para entrar na universidade pública por mérito próprio e, por isso, vão se aproveitar das Cotas. Isso, para o bom entendedor, é dito em alto e bom som. E é fácil entender. Se existem negros ricos, ou melhor, se existissem, por que não fariam estudos prévios sólidos capazes de garantirem o acesso seguro à Universidade Pública? Por que precisariam sorrateiramente valer-se da brecha das Cotas para entrarem na Universidade Pública?

Assim, a procuradora cria uma categoria imaginária de negros que: 1) tem dinheiro mas não quer gastá-lo com estudo; 2) tem chance de estudar mas não o faz (Por preguiça? Por incapacidade para aprender? Por acomodação? Por imoralidade congênita?); 3) não se vexa de, mesmo sabendo que as cotas se destinam aos destituídos, se aproveitar da oportunidade de usufruir delituosamente delas; 4) sequer possui qualquer solidariedade com os outros negros, sendo capazes de tomar deles o que seria um direito.

Não é difícil tirar essas conclusões. Elas não revelam nada de sofisticado e sutil. Ao contrário, o que desvelamos aqui são (pré)conceitos bastante toscos. Contudo, as viseiras desses mesmos preconceitos impedem a procuradora de percebê-los. Encabrestada pelos seus preconceitos, que pululam à tona do seu discurso, a procuradora não realiza os passos prévios de reflexão e consideração intelectual da matéria que sirvam para, com antecedência crítica, separar os argumentos dos preconceitos. Por isso, não posso chamar o procedimento dela senão de cegueira, uma cegueira que tem sido a tônica da argumentação da classe média no Brasil contra as cotas. É ao ler argumentos como esses, cujo fundo é formado apenas pelo lodo dos preconceitos, que concluo que mesmo com falhas a política de Cotas será, no Brasil, mais frutífera que as soluções aparentemente mais inclusivas ou democráticas dos que são contra elas. Aliás, já está sendo, nos fazendo ver como pseudos argumentos se montam exclusivamente a partir de preconceitos raciais.

São esses os pressupostos ocultos em seu discurso, quando afirma que “Essas cotas favorecem que negros ricos entrem na universidade”. São essas conseqüências que formam o seu impensado, estando em seu centro este personagem, espécie de vilão de novela, inventado para o uso ad hoc. De onde provêm tudo isso? De algo muito nosso: do arquétipo constituído na sociedade brasileira segundo o qual cada um deve estar no seu lugar. Cada macaco no seu galho. O branco deve ficar na sua e se dar o respeito porque algo muito feio é o “branco no samba”; negros e mestiços devem respeitar seu lugar, aqueles das pinturas de Portinari (e também das de Tarsila), corpo enorme e cabeça atrofiada, porque se não fazem isso caem nas categorias do “mulato pernóstico”, do “mulato sabido” ou “mulato frajola”.

Do ponto de vista da lógica social, a idéia é que quando um inferior cobiça a posição superior ele se torna mais inferior do que quando aceita sua inferioridade como natural. A fantasia argumentativa de um grupo perverso de “negros ricos” não diz outra coisa. Quem, com a seriedade necessária, se detiver a refletir sobre os impasses da sociedade brasileira, seu horror crônico à mudança, verá que esta lógica — que incrimina aqueles que querem elevar-se na escala social — é a trava que imobiliza uma sociedade muito armada contra a ascensão social. Ao desmontá-la, estaremos liberando energia para um possível devir histórico para além das ignomínias atuais. É isso que querem os defensores das Cotas.

Ao fim, na verdade, a procuradora acaba mostrando, para quem tem olhos para ver, um racismo que não é um “racismo ao contrário”, nem um “racismo reverso”, mas um que sai da clandestinidade para mostrar um furor da imaginação que, começando por ser contra as cotas, vai além, contra negros imaginários e imorais, inventando por conta própria uma camada social completa que ninguém encontrará empiricamente, nem o cientista social mais talentoso. Creio que a procuradora Roberta Kaufmann, ao fazer isso, contribui com pinceladas próprias para delinear um retrato do negro carregado nas tintas do preconceito. A suposição implícita em suas afirmações de que negros com dinheiro se aproveitariam das cotas é ofensiva e, creio, deve ser objeto de um pedido de desculpas formal, claro e inequívoco aos afrodescendentes.

Geralmente no Brasil quando somos surpreendidos no que ocultamos reagimos como ofendidos, como se não os nossos argumentos mas a nossa honra tivesse sido refutada. Assim, ao invés de estudar com atenção os que nos censuram e evitar repetir os mesmos despautérios, tendemos a vir com quatro pedras nas mãos. É o espírito do bate-boca ou da polêmica vazia que conhecemos muito bem. Estou seguro de que, até por dever de ofício, não será essa a reação da procuradora.

A procuradora crê que os brancos pobres não podem pagar pelos efeitos da escravidão porque não são culpados. De fato. A quem ocorreria pensar diferente? Num país em que, como mostrou o Ipea há poucos dias, 10% da população concentram 75% da renda, seria ignóbil pensar de outro jeito. Os brancos pobres não podem pagar porque, afinal, eles são também vítimas. Contudo, encarando o assunto com a seriedade que ele merece, faria sentido procurar por culpados, apontá-los com o dedo e responsabilizá-los pela situação dos negros hoje? Certamente que não. Supor que os defensores das cotas estão caçando culpados para jogar sobre os ombros deles o ônus de séculos de infâmia, é absurdo. Contudo, fica fácil levantar argumentos quando se enfrentam não os adversários reais mas as caricaturas desses adversários. E me parece que, em cada um de seus argumentos, a procuradora nada mais faz que rabiscar algumas mal-traçadas caricaturas, como o nosso recém-comentado “negro rico”.

Em relação a um dos critérios de inclusão nas cotas, ela afirma: “Que legitimidade tem comissões como essas? Querer que uma terceira pessoa diga a que raça eu pertenço é uma política nazista. Isso é um absurdo num sistema que tenta dar uma identificação objetiva para um critério que nunca foi objetivo.” A acusação de nazista mostra uma disposição da parte dela de raciocinar pelo paradoxo, afinal, os defensores das cotas, que pretendem estar ao lado de um grupo inferiorizado durante séculos, terminariam irmanando-se com os nazistas, para os quais a única raça legítima era a ariana. Ao fazer essa aproximação violenta, se pode dizer que a procuradora raciocina não apenas pelo paradoxo, mas também pelo paroxismo, visto que ninguém foi mais extremadamente racista que os promotores do holocausto. Muito bem.

Faz sentido essa identificação? Para revelar seu absurdo não temos mais que refletir. Em primeiro lugar, é preciso considerar que toda ideologia nazista tinha por fundo a distinção hierárquica bestial entre uma suposta raça superior e o que entendiam por raças inferiores. Fazer essa acusação aos defensores das cotas, seria um crime. O que pretendem é, muito pelo contrário, abrir caminhos de promoção àqueles que, durante séculos, foram alijados pelos que os julgavam inferiores. E aqui chegamos a um segundo ponto: quando os nazistas distinguiam entre arianos, por um lado, e eslavos, judeus, ou ciganos, por outro, não era para abrir espaços a estes últimos, e insistir na sua libertação social, mas sim para encaminhá-los às câmaras de gás e aos fornos crematórios. Portanto, não só é paradoxal e paroxista o argumento levantado pela procuradora mas é ainda, sobretudo, disparatado. Ou, dito de outro modo, é leviano, uma vez que afirmar que são nazistas os que atuam no sentido de combater as distinções de raça e classe é agredir os conceitos e desrespeitar as distinções elementares das coisas.

Penso que, de modo geral, a questão das cotas sofre em suas mãos um estreitamento que a desfigura, uma vez que o que ela entende por “reparação histórica” é algo como uma compensação mecânica. Como se se tratasse apenas de tirar de uns para dar para outros. De, por exemplo, puxar o minúsculo e puído cobertor dos brancos pobres para cobrir os negros, inclusive os “negros ricos”. Ela estreita o raciocínio para uma ação de ressarcimento de danos, que perde de vista totalmente a História. Esquece que não estamos num balcão da defensoria do consumidor, nem num juizado de pequenas causas. Estamos no palco de um julgamento muito mais complexo, e que, portanto, apresenta um arco bem mais vasto e exige uma penetração muito particular. É ele que nos obriga a concluir que cortar o nó górdio que imobiliza os negros na herança escravista é pôr em movimento a roda da História no Brasil. Ninguém se iluda: a história não começou no Brasil quando os prédios substituíram as casas-grandes. Nem, muito menos, quando as favelas tomaram o lugar das senzalas. Esse é o ponto. E é em relação a ele que o país inteiro tem a ganhar com as cotas.

Bajonas Teixeira de Brito Junior é doutor em Filosofia, autor do ensaio, traduzido pelo filósofo francês Michael Soubbotnik, Aspects historiques et logiques de la classification raciale au Brésil (Cf. na Internet), e do livro Lógica do disparate.

Fonte: Congresso em Foco

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Elite branca sulina protesta contra mais um abuso da ditadura lulopetista: a proibição do bronzeamento artificial

Num país gélido como o Brasil, onde chove ou faz frio 2/3 do ano, é um insulto às branquelas impedi-las de contrair câncer de pele.



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Assembleia da Brigada Militar decreta estado permanente de greve

A assembleia geral de soldados, sargentos, tenentes e subtenentes da Brigada Militar definiu no final da manhã de hoje, na Assembleia Legislativa, que os policiais entrarão em estado permanente de greve e ameaçam paralisar trabalhos se o pacote do governo do Estado for aprovado no parlamento.

O presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar, Leonel Lucas, afirmou que as lideranças da BM pediriam aos parlamentares que se retire o projeto ou se vote contra.

— Vamos conversar com a bancada da situação para que sejam sensíveis que peçam para a governadora retirar o projeto. A Brigada é uma só. Então, que seja dado um aumento linear para todos — afirmou.

Fonte

O pacote de mentiras e ataques de Yeda

A visão do CPERS

Apesar de não ter apresentado ainda a versão escrita e final de seu projeto, já é possível identificar as novas mentiras e ataques incluídos no pacote do governo Yeda para o funcionalismo. Evidentemente, ainda se trata de uma análise inicial baseada nas poucas informações disponíveis na imprensa. De qualquer forma, é muito importante que em todas as escolas façamos desde já este debate para organizar uma reação imediata e a altura das ameaças que pairam sobre nossa categoria.


Para conseguir que a Assembleia Legislativa aprove as mudanças em nosso plano de carreira, o governo decidiu fazer uma campanha mentirosa de que está valorizando o funcionalismo e aumentando os salários. Vejamos abaixo algumas dessas mentiras.

MENTIRA nº1: “Aumento salarial de 57,9%”
Esta é a mais deslavada e ardilosa mentira do governo. Não há até agora nenhum projeto de reajuste salarial para a categoria. Na verdade, há três anos o governo Yeda mantém os salários congelados, sem repor a inflação e as perdas. O que o novo pacote apresenta é uma elevação do completivo para aqueles que, somando todos os vencimentos e gratificações, ainda assim ganhem menos do que R$ 750,00 (regime de 20 h). Não há nenhum índice de reajuste proposto aos educadores. A imensa maioria da categoria (85% dos educadores), que está nos níveis 5 e 6 da carreira, não deverá ganhar nenhum centavo de aumento mais uma vez!
Também é muito importante salientar que o completivo não incorpora ao salário e será descontado em todos os futuros reajustes salariais da categoria. Portanto, os poucos que viessem a recebê-lo agora com o mentiroso “pacote de bondades”, teriam ainda os seus salários congelados por longos anos.

Além disso, os funcionários de escola, que sequer receberam a Lei Britto, também são excluídos e discriminados mais uma vez pelo governo Yeda.

MENTIRA nº2: “Os direitos adquiridos serão garantidos”
No site do governo, Yeda anuncia que a adesão ao plano não é compulsória nem elimina direitos da categoria. Mais outra enganação! Com a criação de um novo plano de carreira para os futuros concursados, o governo retira de fato direitos que hoje pertencem ao conjunto dos educadores. Este é o maior ataque do governo: quer acabar com o atual plano de carreira dos educadores. Pretende colocá-lo em extinção e retirar do novo plano conquistas importantíssimas como promoções, triênios e os avanços entre os níveis. Dessa forma, o governo reduziria a massa salarial destinada à educação, economizando às custas do empobrecimento ainda maior dos educadores.
Por outro lado, a divisão da categoria e o fim da igualdade de direitos poderão significar também o congelamento de salários dos que não aderirem ao novo plano de carreira. Ou seja, todos sairão perdendo com o fim do atual plano de carreira.

MENTIRA nº3: “Piso salarial passa para R$ 1.500,00”
Quase todos os jornais ajudaram o governo a divulgar outra gigantesca mentira, a de que o salário inicial no magistério será de R$ 1,5 mil (ver capa de ZH do dia 06 de novembro). Ora, qualquer pessoa que não use de má fé sabe muito bem que “piso salarial” ou “salário inicial” referem-se ao vencimento básico de início da carreira de um trabalhador. E que sobre este valor incidirão os avanços e gratificações ao longo dos anos de sua carreira. Todo mundo compreende perfeitamente isto!
Já o governo Yeda, para manter a miséria dos trabalhadores em educação e honrar seus compromissos com o Banco Mundial, quer inventar outro conceito de piso. Quer somar todas as verbas recebidas pelo trabalhador e dizer que este é o piso (ver mentira nº1). Confunde propositalmente piso com teto, tentando passar uma ideia absolutamente mentirosa para a população sobre os salários na educação do RS.
Cabe aqui uma pergunta esclarecedora: se o piso salarial será de R$ 1,5 mil, porque o governo não retira a Ação de Inconstitucionalidade que ingressou no Supremo Tribunal Federal?

MENTIRA nº4: “Servidores irão receber 14º salário”
Com a economia prevista com o fim dos triênios e das promoções por tempo de serviço no novo plano de carreira, o governo quer instituir uma premiação por suposto mérito no desempenho funcional. Yeda anuncia com alarde essa premiação como um 14º salário, enquanto esconde as conquistas que quer retirar do conjunto da categoria. A verdade, no entanto, é outra! O próprio Secretário da Fazenda se encarrega de esclarecer: “Se o Estado não estiver equilibrado, não tem prêmio.” Portanto, o chamado 14º salário não passa de um ridículo abono com critérios incertos e suspeitos. Mais uma jogada mentirosa do governo!
Provavelmente, seguindo a lógica neoliberal do PDE do governo Lula, o governo do estado utilizará essa premiação para instituir a meritocracia e acabar com a gestão democrática e a autonomia pedagógica das escolas. Buscará substituir a solidariedade existente entre os educadores por uma competição individualista a serviço do mercado capitalista.

MENTIRA nº5: “Plano valoriza o serviço público e moderniza a gestão pública”
Bem, esta é a mais difícil de ser engolida! O governo Yeda é um dos mais corruptos da história do RS. Uma verdadeira “quadrilha criminosa” comanda o Palácio Piratini. Durante todos esses anos, os serviços públicos no RS foram dilapidados por este governo e nenhum centavo roubado foi até agora devolvido aos cofres públicos! Nenhum corrupto está preso! Uma relação de compadrio entre o governo, a Assembleia Legislativa e o Judiciário demonstra a cada dia a podridão das instituições no Estado.
Enquanto isso, os filhos dos trabalhadores encontram as escolas públicas abandonadas à própria sorte. As filas nos hospitais demonstram o total descaso com a saúde pública. E por aí vai...
Querer afirmar, como fazem os principais jornais do Estado, que Yeda está valorizando o serviço público e os servidores não passa de mentira e brincadeira de mau gosto!

CHEGA DE ATAQUES AOS NOSSOS DIREITOS!

Este pacote está para ser apresentado à Assembleia Legislativa durante esta semana. Sabemos que se depender apenas da vontade desses deputados, nossa categoria poderá perder o plano de carreira definitivamente. Portanto, é hora de irmos à luta! Precisamos construir uma grande Assembleia Geral no próximo dia 20 de novembro. Vamos lotar o Gigantinho e dar a resposta que este governo merece!

Regis Ethur e Orlando Marcelino da Silva Filho
Membros da Direção Estadual do CPERS Sindicato

Fonte: Blog do Juremir Machado da Silva

Divulgação: Lançamento do livro 'Dossiê dos Mortos e Desaparecidos Politicos no Brasil'

Encaminhado pelo professor do Curso de História da UFSM, Diorge Alceno Konrad:

O Departamento de História da UFSM convida:

Debate e lançamento de livro


Participação: Criméia de Almeida e Suzana Lisboa (Familiares de mortos e desaparecidos políticos)

Coordenação da mesa: Enrique Padrós (História - UFRGS) e Diorge Alceno Konrad (História - UFSM)

Apoio: Departamento de História/UFRGS e Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH)/Assembléia Legislativa - RS

Quinta, 26 de Novembro, 19 Hs

Auditório da Seção Sindical dos Docentes da UFSM (SEDUFSM)

Rua André Marques, 665 – Centro – Santa Maria